Guerra, ansiedade econômica, incerteza política. O cenário de 2026 não é o mais confortável para quem toma decisões de alto impacto. E ainda assim, o primeiro semestre do ano registrou o maior volume de fusões e aquisições desde que há registros — US$ 2,8 trilhões em valor total de deals anunciados, alta de 48% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior número já registrado desde que a LSEG começou a compilar dados, em 1980. 

A leitura do mercado foi direta. Como disse Tom Miles, codiretor global de M&A do Morgan Stanley: as pessoas simplesmente aceitaram a volatilidade e estão investindo mesmo assim, em vez de esperar até que ela termine.

Menos deals. Muito mais capital por operação.

O dado que mais chama atenção não é o volume total — é a concentração. O número de transações anunciadas caiu 9% em relação ao ano anterior, chegando a cerca de 24 mil no primeiro semestre — o menor total em seis anos. Ao mesmo tempo, 47 deals avaliados acima de US$ 10 bilhões foram anunciados, com valor combinado superior a US$ 1,3 trilhão — representando quase 50% de todo o volume global.

O mercado ficou mais seletivo, não menos ativo. Menos transações, porém maiores, mais estratégicas e mais bem estruturadas.

O que está movendo esse ciclo

Três forças estão por trás desse movimento. A primeira é o ambiente regulatório: reformas propostas na Europa facilitam a criação de grandes players regionais, enquanto a administração Trump demonstrou maior abertura a combinações corporativas relevantes nos EUA. 

A segunda é a tecnologia. O setor de tecnologia liderou os volumes globais com US$ 649 bilhões em transações anunciadas no primeiro semestre — com IA e setores adjacentes respondendo por grande parte desse movimento.

A terceira é o financiamento. A emissão global de dívida corporativa investment grade chegou a US$ 3,4 trilhões — alta de 10% em relação ao ano anterior e o maior total já registrado para o período. Capital disponível e custo de dívida controlado criam condições favoráveis para quem está preparado para movimentar. 

O que o segundo semestre promete

Especialistas em M&A afirmam que o segundo semestre promete ser tão bom ou até melhor — com aumento esperado em transações estratégicas de menor porte, vendas de divisões e reequilíbrio de portfólios. 

Para o setor educacional brasileiro, esse contexto é relevante. O capital institucional que está movimentando megadeals globais também está olhando para nichos com fundamentos sólidos — e o ensino superior privado, com sua concentração crescente e ativos subvalorizados, está dentro desse radar.

A pergunta não é se o mercado vai continuar se movendo. É se sua instituição estará posicionada quando a oportunidade aparecer.